terça-feira, 29 de janeiro de 2008

ATITUDE

Ontem tive uma idéia.
Na verdade, ontem tive uma excelente idéia.
Trocar de roupa e vestir vestes novas.
Deixar as idéias sem futuro de lado, e investir em coisas novas.
Refrigerar a cabeça. Deixar o pensamento rolar livre, sem preocupação de entender todas as coisas; afinal de contas não sabemos de coisa alguma.

Ontem, pensei em desistir das velharias
Deixar de lado as tagarelices
Ouvir mais meu coração

Ontem, achei mesmo que ia pirar
De tanto pensar e não chegar
A lugar algum

Na verdade o que é insano
É não pensar
Mas achava que piração
Era a confusão na minha cabeça

Entende?
Entende
?

Deixamos as palavras correrem órfãs por nossa cabeça, sem direção. Acho que existe um curso para organização do pensamento... Deve existir! Tantas coisas existem!
Existem ou não existem.
Na verdade nada existe.

Ontem, troquei de roupa
Deixei o verbo sair no imperativo
E o verbo se fez presente

Ontem, vesti roupas novas
Doei as antigas, surradas, sujas e confusas
Vesti novas, novas vestes vesti

Ontem, vivi o nada
O nada é que me preenche
Estar sozinha não é estar só

Prefiro assim
Sozinha
Prefiro
Assim, sozinha

Ontem, minhas certezas caíram por terra
E vi nascer, num campo cerebral
Certezas vindas de uma atitude
Desigual

Não queria, pois, saber de entender
Queria não saber
Saber para quê?

ontem, tomei uma decisão
Sair por aí com a cabeça livre de tensão
Deixar as palavras em ordem de ataque

Deixei meus achismos de lado
Me pus humilde diante do caso
Por isso, escrevo aqui o que fiz

Ontem, deixei de lado meu saber
Pois, saber não sei
Nem fui apresentado


Na verdade este poema, PERDOEM-ME OS POETAS PELA OFENSA, é uma colocação, no papel, daquilo tudo que não sei dizer em prosa. Percebam, existem sentimentos inexplicáveis dentro de nós. Sentimento cuja palavra não existe para explicá-lo ou talvez, não tenhamos conhecimento algum de como dizê-lo, simplesmente por não sabe-lo.
Estou lendo PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUISTICA e ele explica os passos da aprendizem que ao total são quatro:
1- incompetência inconsciente;
2- incompetência consciente;
3- competência consciente; e
4- competência inconsciente.
O que fiz foi uma transmutação do primeiro item (incompetência inconsciente) para meu poema.
Você não sabe, e não sabe que não sabe...
O gênero poema é um escape de idéias desordenadas, para dizer aquilo que todo mundo quer saber e escrever e acha "louco". Alguns têm a habilidade de escrever em prosa, dissertar belissimamente sobre um assunto, mas quando se trata de sentimentos profundos, sentimentos arcaicos, sentimentos de décadas de existência humana, acredito que a poesia seja o melhor gênero.

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